O Teatro Vila Velha foi às ruas com uma ação artística inovadora, usando de linguagem multimídia e muita interatividade com o público. Eu, por exemplo fez parte do Festival Vila+50 e desenvolveu intervenções urbanas nas ruas de Salvador – cinco pontos da cidade receberam orelhões multimídia equipados com tablets, onde qualquer um pôde gravar depoimento sobre sua relação com as artes e o Vila. Esses depoimentos foram disponibilizados na internet, no hotsite do projeto.

Idealizado pelo jornalista Kau Rocha, Eu, por exemplo quis chamar a atenção da população da cidade para os 50 anos do Vila. “Com essa intervenção, o Vila pretendeu ampliar sua memória, a partir da captura de depoimentos das pessoas sobre sua relação com o Vila e o teatro em geral. Com linguagem moderna e interativa, o Vila reafirmou algumas de suas principais características, que são a ousadia e a criatividade”, explicou Kau Rocha.

O projeto contou com o envolvimento direto de mais de vinte pessoas e grande capacidade criativa para que a ideia saisse do papel e ganhasse as ruas soteropolitanas. Tudo foi registrado para que, ao final do projeto, o Vila tivesse em seu acervo de memória mais esta ação. “Vamos fazer um documentário em que ficarão registrados todos os nossos passos e as dificuldades que tivemos para colocar o Eu, por exemplo nas ruas”, disse o cineasta Fábio Rocha, também envolvido no projeto.

O design dos orelhões teve a assinatura do artista plástico Ray Vianna e chamou a atenção de quem esteve pelas ruas por seu estilo vintage. “A ideia foi estimular as pessoas a darem seus depoimentos”, explicou Ray.

O Teatro Vila Velha foi inaugurado em 1964, quatro meses após o Golpe Militar, se tornando um espaço de reação ao regime autoritário da época, passando a abrigar artistas, intelectuais, movimentos sociais e estudantes. Até hoje é referência das artes cênicas brasileiras; dos palcos do Vila surgiram muitos talentos brasileiros, a criatividade e a coragem de muitos deixaram marcas importantes no teatro baiano e brasileiro. Nos palcos do Vila, foram encenados espetáculos com forte cunho crítico ao regime da época, como “Eles não usam black tie” (com Othon Bastos, Wilson Melo, entre outros).

Cinco décadas depois, o Teatro Vila Velha manteve sua característica provocadora e foi às ruas em mais uma ação inovadora em Salvador. “O projeto Eu, por exemplo, teve como desafio ficar na lembrança dos baianos como já está o Vila na memória e na história do teatro brasileiro”, afirmou Kau Rocha.

Atores Convidados

Vinícius Bustani
Jorge Washington

Monitores de Cabine

Ana Diniz
Beto Bahia
Carlinhos Tchelvis
Gerson Garibalde
Iara Rocha
Isabela Trigo
Matheus Moura
Rosa Abreu
Thyago Bezerra
Victor Bastos