Lamartine Babo(1904–1963), o Lalá como era carinhosamente conhecido, foi compositor das famosas marchinhas de carnaval, de inúmeros sambas e dos hinos populares dos clubes de futebol do Rio de Janeiro, o grande compositor carioca Lamartine Babo, teve sua obra revisitada no musical infantojuvenil Trá-la-lá, que esteve em cartaz no Oi Futuro. Lamartine foi uma das pessoas mais conhecidas no meio artístico brasileiro na primeira metade do século passado. As suas melodias são repetidas em festas juninas, bailes de carnaval e rodas de samba até os dias de hoje.

Idealizado pela atriz, cantora e flautista Anna Bello, Trá-la-lá levou a obra de Lalá ao público infantojuvenil de forma lúdica e, claro, também agradou aos adultos. Criamos uma história de amor inspirada no universo poético do compositor sem deixar de contar quem foi Lamartine”, diz Anna, que lembra de ter contato com as canções do Lalá ainda criança, por volta dos 12 anos, quando era integrante do projeto Flautistas da Pró-Arte.

O texto de Vanessa Dantas teve um mergulho intenso na obra de Lamartine, tendo como ponto de partida o livro Tra-la-lá – Vida e Obra de Lamartine Babo (Funarte, 2014), de Suetônio Soares Valença. “Escrevi duas histórias de amor de diferentes gerações. Quantos casais não se apaixonaram através das músicas de Lamartine?”, conta a autora, sem deixar de ressaltar o bom humor presente nas letras e frases do compositor. “Ele era um clown, o nosso Chaplin. Tinha sempre um trocadilho na ponta da língua”. Vanessa inseriu frases originais do artista na dramaturgia, como quando ele fazia graça com a própria magreza: “Eu era tão magro que conseguia passar sequinho, sequinho, entre os pingos de chuva!”.

Na peça, a praça era o ponto de encontro de todos os personagens. Lá, o viúvo Seu Voronoff trabalha com o seu hospital portátil de bonecos e não esconde uma antiga paixão dos tempos de escola por Dona Juju Balangandã, que aparece todos os dias para vender suas bugigangas na praça.  Armando Boaventura, artista e músico da praça, e os jovens Pedro (neto de Voronoff) e Tina (neta de Juju) vão ajudar o Seu Voronoff a conquistar novamente o coração de Juju. Criado pelo artista visual Bruno Dante, o boneco de Lamartine entra em cena para contar momentos da sua vida pessoal e profissional, além de auxiliar Seu Voronoff a colocar em prática o seu plano para reconquistar Juju Balangandã.

Trá-la-lá levou ao palco Anna Bello (Dona Juju Balangandã) Daniel Haidar (Pedro), Isabela Rescala (Tina), Leandro Castilho (Armando Boaventura) e Leonardo Miranda (Seu Voronoff) com diversos instrumentos para cantar as músicas de Lamartine ao vivo, reunindo diferentes linguagens – teatro de bonecos, cinema e música, para contar uma história de forma leve e fluída. Vem ver o que rolou!