No meio de uma crise existencial típica da adolescência, Paulo está trancado no seu quarto quando recebe uma visita inesperada da banda que mais ama no mundo: os Beatles. Este é o ponto de partida de Experiência Yellow, peça dirigida por Karen Acioly, com texto de Karen Acioly e de Ciro Acioli. O espetáculo marca a primeira parceria entre Karen e seu filho, que além de ter escrito a peça interpreta o beatlemaníaco Paulo, protagonista da história. O musical começou a ser montado em 2014, durante o FIL, com uma residência artística e, depois de dois anos de pesquisas, imersão e muitos ensaios, estreou no Oi Futuro Ipanema.

Sem saber o que fazer com sua paixão por Nina, Paulo se isola em seu quarto, refúgio que chama de “Submarino Amarelo”. Dúvidas, angústias e desejos se multiplicam no seu veloz raciocínio e, como sempre, ele toca em seu violão uma versão que compôs para “The Walrus”. Poético e rebelde, ele não imaginava que estava prestes a viver a maior aventura de sua vida. Três componentes da banda – Ringo Star, George Harrison e John Lennon – invadem seu mundinho, convidam o garoto para fazer um teste para entrar no grupo e o encorajam a correr atrás de seus sonhos e a descobrir quem ele é e seu lugar no mundo. Então o quarteto embarca em seu “Yellow Submarine” imaginário, rumo a uma viagem inesquecível pelo Rio São Francisco, onde vão viver uma experiência transformadora, a Experiência Yellow.

Com figurino assinado pelo coletivo Oestudio, o espetáculo é deliciosamente recheado por versões em português de algumas das mais emblemáticas canções dos Beatles, como a própria “Yellow Submarine”: “Vai por mim, vai ser belo o meu destino/ Pintei de amarelo o meu submarino”, fazendo referência ao refrão original. A música se sobrepõe ao teatro através do uso de dispositivos digitais inovadores: videocriações permitirão ao público embarcar na fantástica experiência de Paulo.

A ideia do espetáculo surgiu há dez anos, quando Karen escreveu as primeiras linhas da história e traz um mergulho da busca da identidade de um jovem. “Todo adolescente atravessa complexos ritos de passagem, com profundos conflitos existenciais ao se deparar com o injusto e incompreensível mundo dos adultos. É muito importante que possamos, através da dramaturgia, da música, da experiência teatral, do uso das novas linguagens artísticas, hoje em dia tão misturadas, chegar perto desse jovem e do adolescente de hoje – por vezes distantes do teatro – com temas instigantes e dispositivos digitais que o ajudem a enfrentar suas descobertas para as novas etapas da vida no mundo de hoje”, diz Karen Acioly.